Crie seu primeiro AI app: acompanhe seus investimentos no celular apenas em linguagem natural.

Se o seu dinheiro está em mais de um lugar, você conhece esse gesto. Abre o aplicativo do banco, depois o da corretora, depois o da previdência, depois a conta em dólar. Cada um mostra um pedaço. Nenhum mostra o todo. E a pergunta mais simples — quanto eu tenho, ao todo, e isso subiu ou desceu? — vira uma planilha que ninguém atualiza.
Era assim comigo. O meu dinheiro está em várias instituições, em mais de uma moeda, e nenhum agregador cobre todas. Algumas não têm API nem exportação: a tela de saldo no aplicativo do celular é a única fonte de verdade que existe.
O que eu queria era sem graça: uma visão consolidada, um histórico mês a mês, uma divisão por classe de ativo, e alguma coisa que eu abra no celular.
Hoje tem um app de investimentos no meu celular que não está em loja nenhuma. Ele mostra o portfólio inteiro numa tela só: a visão consolidada, o histórico mês a mês, a divisão por classe de ativo. É uma página publicada como um Artifact privado do Claude, que eu abro no aplicativo do Claude no celular. Eu não escrevi uma linha dela. O agente escreveu a página, e as conferências que validam os números, tudo a partir de conversa.
O que você ganha
Três perguntas, uma tela: quanto eu tenho, como isso mudou mês a mês, e onde o dinheiro está, por classe de ativo. Sem abrir cinco aplicativos, sem somar nada de cabeça, sem instalar nada.
Tempo. O app se atualiza uma vez por mês. Parte dos números vem de um serviço de cotações; o resto, de prints que eu tiro dos aplicativos no próprio celular. A minha parte numa atualização é pequena de propósito: tirar os prints das telas de saldo e responder quando alguma coisa para e me pergunta. O resto — ler os números, atualizar a página, conferir as contas, publicar — é do agente.
Clareza. O histórico só cresce. Cada mês vira uma linha nova, e a mudança de um mês para o outro é algo que eu consigo ler linha por linha, não um número que mudou sem explicação.
Confiança. Um número bonito na tela não vale nada se estiver errado. O que faz esse app merecer ser aberto são quatro conferências, que eu explico já já, e que o agente também escreveu.
Quer ver como fica? Eu montei uma versão de exemplo, com o mesmo visual do meu, e um portfólio de tickers reais com valores inventados — uma parte no Brasil, uma parte fora:
Abre no navegador ou no aplicativo do Claude, no celular. Nenhum número ali é meu. É para você mexer e decidir se quer um desses.
Você consegue montar o seu só conversando, e no fim deste texto tem o prompt para isso. Montar é a parte fácil. A difícil aparece na primeira atualização: como você sabe que o que o agente leu é o que estava lá, e que o que ele devolveu está certo?
A primeira cotação depois que o aplicativo de mercado abriu veio com o símbolo errado.
Nada quebrou. A chamada devolveu um preço. O agente percebeu porque não leu o preço primeiro. Ele leu o código do ativo que veio junto, viu que não batia com o que tinha pedido, e pediu de novo.
Esse hábito é o que faz o app merecer confiança. O resto deste texto é o que eu construí em volta dele para nunca precisar acreditar na palavra do agente sobre um número.
Um limite antes que você chegue nele por conta própria: o meu app é privado, então nada aqui embaixo abre um arquivo meu que você possa inspecionar. O que vem a seguir é testemunho. O que eu consigo te dar é o formato das conferências, os momentos em que elas se pagaram, e o exemplo acima para você ver o resultado.
Conferido, não confiado
Esta é a parte que me importa.
Um agente lendo um print está lendo pixels. Um agente consultando uma cotação está recebendo o que a ferramenta resolveu mandar. Nenhum dos dois é a verdade; os dois são entrada. Então nenhum número entra no app só pela palavra do agente. São quatro conferências, e cada uma pega uma coisa que as outras não pegam.
1. A fonte se confere sozinha. Antes de um número de um print contar, ele tem que bater com outro número da mesma tela. O saldo de um fundo tem que ser igual ao valor aplicado mais o rendimento que o aplicativo mostra, no centavo. Uma linha de ação tem que ser igual à quantidade vezes o preço que acabou de chegar. O total de um fundo administrado pelo governo tem que ser igual à soma das suas subcontas. Se o modelo lê um dígito errado, a soma para de fechar, e a atualização para junto. O que você ganha: um erro de leitura não vira um número errado no seu celular.
2. Algo que não é o agente faz a conta. Um programa separado, que o agente escreveu a meu pedido, refaz os totais e os números por classe a partir dos dados e compara com a linha nova que o agente escreveu. O agente escreve a linha; outra coisa faz a aritmética. O que você ganha: o total não depende de o agente ter somado certo.
3. A conferência se prova. O mesmo programa roda depois contra a versão do mês passado e tem que chegar no total que ficou registrado naquela época. Se não chegar, a resposta dele para este mês não vale nada: uma conferência que nunca foi vista concordando com uma resposta conhecida é uma opinião com um programa do lado. Então ela roda duas vezes — uma vez neste mês, e uma vez num mês cuja resposta eu já sei. O que você ganha: a conferência não passa por acaso.
4. A página tem que abrir. Uma última checagem, também escrita pelo agente a meu pedido, abre o arquivo e confirma que não tem erro, e que estão lá o número esperado de gráficos e de linhas de tabela. O que você ganha: você não descobre um app quebrado na hora em que quer olhar.
O hábito por trás do símbolo errado lá do começo atravessa as quatro: o que a ferramenta devolve se confere, não se confia. Eu escrevi em outro texto sobre me pegar acreditando que a gente acertava de primeira muito mais do que acertava de verdade. Essas conferências são essa lição, montada dentro de um sábado.
O humano no loop, ajustado ao que aconteceu
As regras do agente são curtas. Nenhuma operação, nunca: ele só lê e atualiza a página. Ele só pode mexer nos dados, nunca no visual. Nenhuma linha de histórico com campo vazio.
E uma regra que eu escrevi antes da primeira atualização e tive que mudar: qualquer queda sem explicação num saldo de renda fixa parava tudo e me perguntava.
Na primeira vez ela disparou numa conta tipo caixa. A queda era real, e normal: aquela conta movimenta dinheiro para dentro e para fora todo mês, por desenho. Eu confirmei, e a regra foi relaxada só para aquela conta. Qualquer outra queda continua parando a atualização.
Eu não teria conseguido escrever essa regra certa no primeiro dia; eu estaria chutando. É um exemplo pequeno de uma coisa maior: ajustar quando o agente para e te pergunta ao comportamento real, em vez de chutar isso de antemão.
Então, uma pergunta para você. As regras que o seu agente te pede para confirmar — você escreveu antes de ele rodar alguma vez, ou depois?
Mais uma parada que vale contar. Uma atualização travou num guard que a minha workstation tinha na época, que parava uma sessão depois que a configuração dela mudava. A regra era parar e me avisar, não achar um jeito de contornar, e foi o que aconteceu. Esse guard já foi removido.
O que quebrou, e o que ainda é tosco
Agendar não é a mesma coisa que confiabilidade. A atualização agendada de outubro não rodou. Ela foi feita na mão, a partir de uma nota de handoff.
Tudo depende do Mac estar acordado com o aplicativo de cotações aberto. Na atualização que este texto descreve ele estava fechado, e o agente abriu.
Os prints ainda são manuais. O item em aberto é uma caixa de entrada que o celular alimenta sozinho. Levar os dados para o armazenamento do próprio Artifact também ficou para depois, porque isso significa reescrever a parte que desenha a página.
E os dados inteiros vivem dentro de um arquivo que o agente escreve e eu não. É tosco. Nesta escala — uma pessoa, uma linha por mês — ganha de um banco de dados: cada mês é uma diferença que eu leio linha por linha, o arquivo abre em qualquer lugar sem instalar nada, e um programa confere tudo só lendo três blocos de dados.
Por dentro, para quem quer descer
Esta seção é para quem quer saber como as peças se encaixam. Nada nas outras depende dela.
As peças, em português claro:
- O orquestrador é uma sessão de agente Claude num workspace Linux na nuvem, na parte cloud do Claude Cowork. Ele planeja, chama ferramentas, edita os dados e confere o resultado. Eu acompanho pelo aplicativo do Claude no celular.
- A ponte é o aplicativo desktop do Claude num Mac mini. A cada sessão, eu aprovo o acesso a uma pasta. Dentro dela o agente pode rodar comandos, fazer commit de arquivos e chegar nos servidores MCP locais.
- As cotações vêm do TradingView Desktop, controlado por um servidor MCP local sobre o Chrome DevTools Protocol (CDP). O agente pede uma cotação por símbolo, e lê o campo
symbolda resposta antes do preço. Valor é quantidade vezes último preço; o custo só muda numa transação de verdade. - Os saldos sem cotação vêm de prints dos aplicativos no celular, lidos pelo modelo.
- O estado é um único arquivo HTML com a biblioteca de gráficos embutida. Três constantes guardam os dados — posições, câmbio, e um histórico que só cresce — e só essas três podem mudar. Layout, gráficos e categorias estão congelados.
- As conferências 2 e 3 são um script Node; a 4 é uma checagem de renderização no jsdom, com o canvas substituído por um stub.
Ele sai como um Artifact privado do Claude, o arquivo local fica de backup, e uma tarefa agendada dispara no primeiro sábado de cada mês.
Monte o seu
O app é a parte que dá vontade de montar. As conferências são o que deixa você abrir ele no celular sem desconfiar do que está vendo.
Quatro conferências para confiar num app que um agente atualiza: faça a fonte se conferir antes de a leitura do modelo contar; tenha algo que não é o agente fazendo a conta; prove esse algo contra uma resposta conhecida antes de acreditar nele; confira que a página ainda abre. E ajuste quando o agente para e te pergunta a uma atualização de verdade, em vez de chutar de antemão.
O prompt abaixo é para quem nunca programou. Copie, cole numa conversa nova no Claude, e troque o que está entre colchetes. Ele começa com dados inventados, então você vê o app antes de mostrar qualquer número seu. Ele não usa o TradingView: tudo vem dos seus prints. E quando for mandar um print, corte o número da conta e o seu nome; o agente só precisa do saldo.
Antes de colar, o que você precisa:
- Uma conta no Claude. O plano Free basta. Artifacts funcionam em todos os planos, Free incluído. Eles precisam de "code execution and file creation" (chamado "Create and edit files" no layout novo de Settings) ligado em Settings > Capabilities; confira antes de começar. A página da própria Anthropic: o que são Artifacts.
- O aplicativo do Claude no celular, onde você abre o seu próprio app depois que o agente montar ele como um Artifact. Compartilhar por link é outra coisa, e depende do seu plano: veja a página da Anthropic sobre compartilhar.
- Prints das telas de saldo dos seus aplicativos, tirados no celular. Eles são o único dado que o prompt usa.
- Nenhum código. Você não escreve nada; o agente escreve a página e as conferências, como escreveu as minhas.
O que esta versão não faz, dito antes de você descobrir:
- Nenhuma cotação automática. Ela não se conecta a nenhum serviço de cotações. Todo número vem de um print que você manda.
- Nenhuma atualização sozinha. O prompt não agenda nada, e o seu Artifact não se atualiza sozinho. Todo mês, volte para a mesma conversa e mande os prints novos.
- Ela lê pixels. O modelo pode ler um dígito errado. As conferências existem para parar a atualização quando isso acontece; elas não deixam a leitura perfeita.
- Ela nunca mexe no seu dinheiro. Só lê e atualiza a página: nenhuma compra, nenhuma transferência, e ela nunca pede senha nem login.
- O link do exemplo vive no claude.ai, e esse link pode mudar.
- Deixe o seu privado. O seu app guarda os seus números de verdade. Não compartilhe o link dele; o único que eu compartilhei é o exemplo, com tickers reais e valores inventados.
Para reproduzir exatamente a minha montagem, com cotações e uma execução mensal que começa sozinha, o prompt não basta. Você precisa também do que Por dentro descreve: o aplicativo desktop do Claude num computador que fica ligado (no meu caso, um Mac mini), liberando uma pasta por sessão; uma sessão de agente na parte cloud do Claude Cowork; o TradingView Desktop aberto nesse computador, atrás de um servidor MCP local que controla ele sobre CDP (o meu é o tradingview-mcp, um projeto aberto de terceiros); e uma tarefa agendada. Esta precisa do Claude Pro, no mínimo: tarefas agendadas no Cowork só existem nos planos pagos (Pro, Max, Ultra, Team, Enterprise), segundo a página da Anthropic sobre elas. O TradingView Desktop está disponível no plano gratuito do TradingView, segundo o blog do próprio TradingView. Ela carrega os limites de O que quebrou: o Mac precisa estar acordado com o TradingView aberto, uma execução agendada já deixou de rodar, e os prints ainda são manuais.
Quero criar um app simples para acompanhar meus investimentos no celular. Eu não sei programar, então faça tudo por mim e me explique só o que eu precisar decidir.
O que o app mostra, numa tela só: o total de tudo o que eu tenho, somando todas as contas; um histórico mês a mês; e a divisão por tipo de investimento, por exemplo [renda fixa, ações, previdência, caixa]. Valores em [reais].
Como ele funciona:
- Monte uma página só como um Artifact, para eu abrir no aplicativo do Claude no celular.
- Deixe os dados separados do visual. De um mês para o outro, só os dados mudam.
- Comece com dados inventados para [três contas de exemplo, como Banco Exemplo, Corretora Exemplo e Previdência Exemplo], para eu ver como fica.
- Uma vez por mês eu vou te mandar prints das telas de saldo dos meus aplicativos. Leia os números de cada print.
- Antes de aceitar um número de um print, confira se ele bate com outro número da mesma tela, por exemplo saldo igual a valor aplicado mais rendimento. Se não bater, pare e me pergunte.
- Depois de atualizar, refaça as contas de outro jeito, sem confiar no que você mesmo escreveu, e me mostre se os totais batem.
- Antes de confiar nessa conferência, rode ela também no mês anterior e mostre que ela chega no total que já estava registrado.
- Confira que a página ainda abre sem erro antes de me entregar.
- Se algum saldo cair sem explicação, pare e me pergunte antes de continuar.
Regras que valem sempre: você só lê e atualiza a página. Nunca faça compras, vendas, transferências ou qualquer operação. Nunca me peça senha, login ou acesso a nenhum aplicativo; eu só mando prints.
Esta semana, cole esse prompt no Claude, olhe o app com os dados inventados, e só depois troque por um número seu — um que hoje você só vê abrindo um aplicativo no celular.
Um abraço, e até a próxima.
Isso é o que eu penso.